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Arpoando o Sol por Mathieu Bertrand Struck

Todo mundo gosta de dizer que não tem sotaque, quem tem são os outros! Mas algum tem de ser o oficial, não é? Pois bem, é o nosso X, cantado, o carioca que tem o sotaque oficial do Brasil. De acordo com um leitor do Diário do Rio, Marco Antônio, a a escolha do português falado no Rio de Janeiro como padrão nacional foi feita em dois Congressos Nacionais: o de Língua Cantada, organizado em 1937 por Mário de Andrade e o de Língua Falada no Teatro, realizado em Salvador em 1956.

E Marco Antonio, conclui, se quiserem modificar, que façam novos congressos!

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A SUPOSTA SUPREMACIA DA FALA CARIOCA: UMA QUESTÃO DE NORMA

Angela Marina Bravin dos Santos (UFRJ)

INTRODUÇÃO

É lugar comum no meio acadêmico, quer entre historiadores quer entre gramáticos e lingüistas, a idéia de que a fala carioca se sobrepõe aos outros falares, o que lhe confere um suposto “status” de modelo a ser seguido. A influência do falar carioca já era sentida, segundo o historiador Alencastro (1997:34), bem antes do advento dos meios de comunicação:

Bem longe do advento do rádio e muito antes ainda da televisão, os habitantes do Rio já influenciavam a fala dos habitantes das outras províncias.(ALENCASTRO, 1977:34).

Ainda sob o olhar de historiadores, parece que tal “status” se confirmou em dois Congressos Nacionais: o de Língua Cantada, organizado em 1937 por Mário de Andrade e o de Língua Falada no Teatro, realizado em Salvador em 1956:

Carvalho e Melo e Silva Lisboa afirmavam com intuição, uma verdade que veio a ser confirmada por dois Congressos Nacionais de Língua Cantada, de ser a do Rio de Janeiro a pronúncia padrão do Brasil.

(RODRIGUES, 1986:48)

Sob a ótica de alguns estudiosos da língua, como  Révah, a história não era diferente: “ Para as referências à língua comum do Brasil, utilizaremos antes de tudo o falar do Rio de Janeiro” (RÉVAH, 1958:2).  Révah seguia, provavelmente, os caminhos abertos pelos congressistas de 1937 e 1956 que, por considerarem necessária uma pronúncia unificada ou padronizada no teatro,  resolvem escolher a fala carioca  como a língua-padrão do teatro, da declamação e do canto eruditos do Brasil, ainda que reconhecessem como características das  línguas “a pluralidade de maneiras de falar, as variações fonéticas”.[1]

Conforme Leite & Callou, buscou-se nesses Congressos o estabelecimento de normas de âmbito generalista que, de um lado, representassem o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo e de outro, não fizessem com que se corresse o risco de chegar a uma média que não correspondesse  a nenhuma das variedades faladas no Brasil, no passado ou no presente.” (LEITE & CALLOU, 2002:10-11)

As questões que se colocam são:

1) o falar carioca representa o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo?

2) pode-se tomar o falar carioca como a média  que corresponde às variedades faladas no Brasil?

3) o caráter de pronúncia padrão do português do Rio de Janeiro existe de fato?

4) há argumentos lingüísticos e extralingüísticos que justifiquem a escolha de um  determinado  dialeto como padrão?

Não se podem obter respostas para tais perguntas sem levar em conta os diferentes conceitos de norma lingüística: de um lado, a idéia de que norma e classe social se inter-relacionam; de outro, impõe-se a visão de que, lingüisticamente, não existe um falar melhor que o outro. Se faz necessário também buscarmos uma definição de língua padrão.

NORMA E LÍNGUA PADRÃO

Mattoso Câmara[2] define norma como o “conjunto de hábitos lingüísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa no País”. Note-se que o caráter social de prestígio é o que determina, conseqüentemente, o prestígio de determinado dialeto, transformando-o em modelo lingüístico de uma comunidade, ou seja, na língua padrão, que segundo Cunha e Cintra é, dentre as variedades de um idioma, a mais prestigiosa:

A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal lingüístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação.  (CUNHA & CINTRA, 1985: 3)

Assim, tomando por base o conceito de norma, postulado por Mattoso Câmara, as respostas às perguntas acima seriam positivas, já que, afinal de contas, no princípio, o Rio era a Corte e, por isso, um lugar com ares europeizados, portanto, de prestígio, conforme se observa no texto de Alencastro:

A corte, as embaixadas estrangeiras, o comércio marítimo, as escalas contínuas de viajantes que cruzam o Atlântico Sul, a chegada de profissionais europeus, engendram no Rio de Janeiro um mercado de hábitos de consumo relativamente europeizados(…) Novidades nacionais e estrangeiras recebiam a aprovação da sociedade e da imprensa da corte__transformando-se em moda imperial__, e daí irradiavam para o resto do país. (ALENCASTRO,1977:37- 51)

E é na Corte que a relação dominador/dominado se estabelece de maneira mais incisiva, já que as ordens vinham da elite portuguesa e não de qualquer dono de terra. Por isso, deduz-se que assimilar a fala dos donos do poder significava alcançar prestígio..

Perseguindo dados que comprovem o prestígio do Rio de Janeiro, podemos argumentar, ainda, que, além de ter sido Corte, o Rio apresenta a menor taxa de analfabetismo entre as 12 maiores capitais do país. É aqui também que se constata um expressivo número de pessoas com nível superior. No tocante aos aspectos social e econômico, a Cidade Maravilhosa reúne bairros com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), destacando-se a Lagoa, cujo “IDH, de 0,902, é semelhante ao da Itália”.( O Globo, 24/03/2001).

Se partirmos da definição de língua padrão postulada por Celso Cunha e Cintra, chegaremos também a respostas positivas. Entretanto, essa mesma definição nos leva a pressupor que o falar carioca não poderia ser tomado como modelo, uma vez que a “ponderável força contrária à variação” é minada pelo caráter extremamente heterogêneo do “ linguajar carioca”,  que, provavelmente,  já no final do século XIX, era marcado por quatro resultantes: a) um falar de prestígio; b) um falar de caráter mais popular; c) um falar rural e d) um falar oriundo da confluência entre os habitantes das regiões rurais e das regiões centrais. (CALLOU & AVELAR,2002:103)

NORMA : o que é comum

A heterogeneidade do falar Rio de Janeiro ilustra-se nas diferentes realizações do S implosivo, verificadas por MARQUES & CALLOU (1977) e da vibrante, investigada só por CALLOU (1985): vimos que há 6 variantes para cada variável. Temos de convir que existe muita variação para a escolha de uma pronúncia padrão. A propósito, pergunta-se: em relação ao S implosivo, qual seria a pronúncia ideal: a palatal, marca registrada do carioca (NASCENTES, 1953: 52), ou a alveolar, variante considerada padrão e mais freqüente em outras regiões? E o que dizer das linguodentais: prevalecerão as realizações do /d/ e /t/ diante de /i/, ou seja, as africadas, consideradas por Nascentes (1953) como características do nosso linguajar?

A resposta está no artigo de Révah, em que o autor discute a evolução da pronúncia do português, tendo por base as determinações do Congresso de 1956:

Trata-se de fatos muito generalizados, mesmo na linguagem das classes superiores da sociedade, mas também de fatos que a língua padrão, que o Congresso tem por missão definir, terá tendência a rejeitar, como prejudiciais à boa feição da língua:

1)ditongação de vogais acentuadas antes do s final: rapáys de rapaz, déys de dez(…) Encontram-se também variantes onde a consoante final é uma chiantes.

2)a palatalização (em graus diversos) das consoantes t, d, l, diante de i. (RÉVAH, 1958:9)

A julgar por tais palavras, parece que a palatal e a africada, realizações comuns no português carioca, ficaram de fora teicoplanin renal dose ciprofloxacin da “boa feição da língua”, o que nos faz elaborar outra pergunta: que norma de pronúncia padrão é essa que exclui realizações fonéticas características da cidade do Rio de Janeiro?

Com base nesses argumentos, renal às perguntas elaboradas inicialmente seriam atribuídas respostas negativas, já que os conceitos de norma e língua padrão apresentados não dão conta do caráter extremamente heterogêneo do falar carioca.  O conceito de norma que talvez resolva a questão vem de Coseriu (1980). Argumenta o autor que a norma da língua contém tudo o que é comum e constante, não existindo uma variedade de determinada língua superior a outra; é apenas igual ou diferente. Assim, diferentes normas podem variar no seio de uma comunidade idiomática sem estar atreladas a julgamentos de valor. (CUNHA, 1985)

Deduz-se, pois, que, sob a ótica coseriana, não há justificativa para tomarmos a fala carioca como o ideal. MAS a suposta supremacia existe. Até professores de Língua Portuguesa, extremamente conservadores no que tange à norma culta, como  Pasquale Cipro Neto, a reconhece. Diz ele:  “ Acho que no cômputo geral, o carioca é o que se expressa melhor sob a ótica da norma culta.” (VEJA de 10.09.97). O que, provavelmente, o referido mestre não sabe é que a escolha de um dialeto como modelo lingüístico de uma comunidade é fenômeno próprio das línguas de cultura. Isso não significa que, lingüisticamente, o dialeto escolhido seja superior ou mais importante. Se a escolha recai sobre falares de uma classe ou lugar considerados prestigiosos é porque fatores  extralingüísticos influenciam a opção pelo uso de uma determinada  variedade.

A INFLUÊNCIA DE FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS E CULTURAIS

Rosenblat (1967), referindo-se aos critérios de correção lingüística, mostra que a expansão de fenômenos lingüísticos faz parte da história milenar das línguas, embora anteriormente ocorresse de maneira menos intensa e vertiginosa.  Segundo o autor, uma cidade, sobretudo as capitais ou grandes centros regionais, ganha prestígio, transformando-se em foco de expansão lingüística graças a um jornal, a uma universidade ou a uma emissora de rádio e televisão. Para o autor, a padronização de um modelo impõe-se pela necessidade de a comunidade lingüística atingir, principalmente no ensino, uma norma abstrata e idealizada.

Sem dúvida nenhuma, o Rio irradia cultura. Não nos esqueçamos de que não só as primeiras Universidades brasileiras surgiram na Sede do Império como aí se deu o início da imprensa, cujo discurso se pautava na linguagem mais apurada da Corte (ALENCASTRO, 1977), lugar preferido também pelos grandes escritores brasileiros: “ Todos os grandes escritores brasileiros moravam na corte” (MACHADO DE ASSIS, apud  ALENCASTRO, 1977: 35). Nos aspectos sócio-econômicos, alguns já mencionados anteriormente, o Rio constituiu-se no principal centro econômico, uma vez que a Baía de Guanabara se tornou a porta de entrada de diferentes produtos e de pessoas oriundas de outras regiões, intensificando-se aqui não só o intercâmbio lingüístico mas  o processo de mobilidade social.

Estima-se que 15 mil portugueses aqui aportaram (CALLOU e AVELAR, 2002). Eram integrantes da classe dirigente. No início, concentraram-se nas freguesias da Candelária e de São José, espaço que hoje faz parte do Centro ( Rua dos Inválidos, Rua do Lavradio, Rua do Resende), Glória e Catete. Nas freguesias de Santa Rita e Santana, atuais Saúde, Santo Cristo e Gamboa, fixaram moradia pessoas de baixa renda, entre escravos de ganho e trabalhadores livres.  A cidade expande-se em conseqüência da intensificação das relações sócio-econômicas nessas freguesias. A classe mais abastada procura outras localidades em direção, principalmente, à orla marítima. Os indivíduos menos favorecidos buscam moradia nas Zonas Norte e Oeste.

Até parece que os congressistas de 1937 e 1956 sustentaram seus argumentos com base nas declarações de Rosenblat Apesar de não se pautarem em critérios científicos rígidos, talvez porque a época não permitisse, os seguidores de Mário de Andrade intuíam que, subjacente à escolha de um dialeto padrão, pairam fatores de ordem sócio-econômica e cultural. Mas não se impõe um modelo lingüístico por decreto. O que se fez foi apenas confirmar uma realidade que é conseqüência do próprio desenvolvimento sócio-econômico e cultural do Rio de Janeiro, cujo falar, como qualquer outro, possui características lingüísticas próprias.

Na verdade, o que existe é uma tentativa de padronizar a pronúncia brasileira, eliminando-se qualquer vestígio de regionalismo. Se escolheram o português carioca como modelo é mais por questões sócio-históricas que lingüísticas. Subjazem à escolha resquícios de uma sociedade carioca moldada pela relação senhor/escravo, em que o poder estava em jogo. Quando o poder entra em jogo, vence o modelo lingüístico do dominador. Provavelmente, se outra cidade do Brasil tivesse passado pelas circunstâncias que o Rio passou, não seria o português carioca o escolhido, mas a fala dessa hipotética região.

CONCLUSÃO

Por mais que tentemos argumentar contra a idéia de que o falar carioca não deva ser considerado o modelo lingüístico brasileiro, uma vez que, lingüisticamente, não há um dialeto superior, não se pode negar a importância dos fatores extralingüísticos para os fenômenos da linguagem, os quais justificam a escolha.  E um dos conceitos que a explica é o de NORMA, não na visão coseriana, mas na que sustenta a suposição de que, em uma língua, há sempre uma variedade de prestígio falada por uma elite, também de prestígio.

O suposto modelo de fala da cidade do Rio de Janeiro não reflete a realidade lingüística de seus habitantes. Trata-se de uma abstração. O que ocorre é a neutralização dos regionalismos, resultando em uma busca de um padrão idealizado, SUPÕE-SE, de base carioca.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALENCASTRO,  L.F. (org) (1977). História da vida privada no Brasil. V. 2 São Paulo, Companhia das Letras.

CALLOU, D. & MARQUES, M. H (1975). O –S implosivo na linguagem do Rio de Janeiro. In: Littera: revista para professor de português e de literaturas de língua portuguesa VOL. V: Rio de Janeiro, Grifo 9-137.

CALLOU, D. (1987) Variação e distribuição da vibrante na fala urbana culta do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, PROED – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

CALLOU, D. (2002). Da história social à história lingüística: o Rio de Janeiro no século XIX. In: ALKMIM, Tânia Maria (org.) Para a história do português brasileiro. VOL. III: Novos estudos Humanitas/FFLCH/USP 281-292.

CALLOU, D & AVELAR, J. (2002). Subsídios para uma história do falar    carioca: mobilidade social no Rio de Janeiro do século XIX. In: Para a história do português brasileiro. VOL. IV. Notícias de corpora e outros estudos. Rio de janeiro, UFRJ/LETRAS, FAPERJ: 95-112.

CAMARA, Mattoso. Dicionário de filologia e gramática. Rio de Janeiro, Jozon Editor.

COSERIU, Eugenio. (1980). Lições de lingüística geral. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico.

CUNHA, Celso & CINTRA, L. (1985). Nova Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.

LEITE, Y & CALLOU, D. (2002). Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro, Zahar Editor.

RÉVAH, I.S. (1958). A evolução da pronúncia em Portugal e no Brasil do século XVI aos nossos dias. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE LÍNGUA FALADA NO TEATRO, 1o Salvador, 1956. Anais. Rio de Janeiro, MEC.

RODRIGUES, J. H. (1986). História viva: São Paulo, Global Universitária.

ROSENBLAT, Angel. (1967). El critério de correccion lingüística. Unidad o pluralidad de normas em el espanol de Espana y América. In: EL SIMPOSIO DE BLOOMINGTON, Bogota, Instituto Caro y Cuervo.

[1] In: Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro (1958:129)

[2] Dicionário de Filologia e Gramática (s/data), p.281.

Foto: Arpoando o Sol por Mathieu Bertrand Struck

Quintino Gomes Freire

Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.

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Source: http://diariodorio.com/sotaque-carioca-o-oficial/


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